Bolsa de valores fecha em alta pelo terceiro pregão seguido; dólar tem forte alta e fecha no maior valor desde 1º de junho

Bolsa de valores fecha em alta pelo terceiro pregão seguido; dólar tem forte alta e fecha no maior valor desde 1º de junho

Ibovespa subiu 0,6% e fechou a 96.125,24 pontos

O Ibovespa fechou em alta pelo terceiro pregão seguido nesta quinta-feira (18), com as ações do Itaú Unibanco entre as maiores contribuições positivas, além de nova redução na taxa básica de juros, com sinalização de mais um corte ‘residual’ à frente.

A hesitação nos mercados no exterior, em meio a receios sobre nova onda de casos de Covid-19 quando as economias começam a reabrir, contudo, evitou uma sessão mais positiva.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,6%, a 96.125,24 pontos, chegando a superar os 97 mil na máxima da sessão. No pior momento, nos primeiros negócios, caiu a 94.697,53 pontos.

O volume financeiro da sessão somou R$ 27,77 bilhões.

Análise gráfica da equipe da Santander Corretora estima que, caso a pressão compradora se intensifique, o Ibovespa deverá seguir em direção à resistência em 98.000 pontos e, depois, pode buscar os 102 mil pontos.

Na véspera, o Banco Central corroborou perspectivas e reduziu ainda mais a taxa Selic, para 2,25% ao ano, movimento que tem estimulado migração de recursos para a bolsa, em busca de rendimentos mais elevados.

A analista da XP Betina Roxo ressaltou em relatório a clientes que, pela primeira vez na história, o rendimento dos dividendos das empresas do Ibovespa supera a taxa básica de juros brasileira.

“Apesar da redução das estimativas dos lucros das empresas neste ano e consequentemente do pagamento dos dividendos, os juros continuam em queda… Portanto, essa comparação do rendimento dos dividendos com os juros continua positiva, o que mostra a atratividade tanto da bolsa quanto dos bons pagadores de dividendos”, argumentou.

Ela ainda chamou a atenção para o fato de que as taxas de juros mais baixas também têm efeitos diretos para as companhias, como redução no custo de dívida e incentivo para investimentos.

No exterior, a sessão foi marcada por alguma hesitação, em meio ao aumento de novos casos de Covid-19 em alguns Estados norte-americanos, bem como dados mostrando que os pedidos de auxílio-desemprego permanecem elevados.

O S&P 500 fechou praticamente estável.

Além do cenário mais cauteloso no exterior, a cena política tensa teve novos eventos, com a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor de um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, o que traz receios sobre a articulação política do governo.

Dólar tem forte alta e fecha no maior valor desde 1º de junho

Moeda reverte queda acumulada no mês

 O dólar fechou em forte alta ante o real nesta quinta-feira (18), terminando no maior patamar desde 1º de junho e não apenas revertendo a queda acumulada no mês como passando a subir, puxado pela combinação de exterior arisco e de noticiário local ainda inspirando cautela para o câmbio.

O dólar à vista subiu 2,10%, a R$ 5,3715 na venda. É o maior patamar desde 1º de junho (R$ 5,3843) e o sétimo pregão consecutivo de alta.

A volatilidade seguiu presente e intensa. Na máxima, a cotação saltou 2,44%, a R$ 5,3893, depois de chegar a cair 0,62%, a R$ 5,2285.

O dólar reverteu a queda de 1,49% em junho até a véspera e passou a subir 0,58%. Na semana, a moeda ganha 6,46%. No ano, o dólar dispara 33,86%, o que mantém com folga o real na lanterna entre as principais divisas globais.

A valorização do dólar no Brasil decorreu em boa parte da força da moeda no exterior, onde receios sobre uma segunda onda de covid-19 em economias centrais conduziram investidores a ativos considerados seguros, como dólar, iene e títulos do Tesouro norte-americano.

Pares emergentes do real também mostraram firmes quedas. O peso mexicano cedia 2,1% no fim da tarde. Mas, de novo, a taxa de câmbio brasileira liderou as perdas globais, em meio a um fluxo de notícias do lado político que ainda dita cautela, um dia depois de o Banco Central sinalizar chance de novo corte da taxa básica de juros da economia, a Selic –que caiu na véspera a nova mínima recorde de 2,25% ao ano.

A queda dos juros é citada como elemento que pressionou o câmbio nos últimos tempos, já que reduziu a taxa paga por títulos de renda fixa e colocou o Brasil em desvantagem em relação a outros emergentes com juros básicos mais elevados. Pesa sobre o real o fato de os retornos da renda fixa estarem em queda livre enquanto a percepção de risco segue elevada –contrariando a lei do mercado de quanto menor o retorno, menor o risco.

O risco-país medido pelo CDS de cinco anos subiu nesta sessão, enquanto a inclinação da curva de juros –outra medida de risco– também mostrou alta, com expressivo ganho de prêmio nos contratos longos, estes mais associados ao cenário estrutural para a economia.

No noticiário político, Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, foi preso na manhã desta quinta-feira em Atibaia, interior de São Paulo, pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Estado. O ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou uma série de recados indiretos ao governo Jair Bolsonaro nesta quinta-feira, ao dar o nono voto a favor da legalidade do inquérito das fake news. Abraham Weintraub anunciou nesta quinta-feira, em vídeo ao lado do presidente Jair Bolsonaro, que está deixando o Ministério da Educação e que irá assumir uma diretoria do Banco Mundial. A demissão de Weintraub vinha sendo negociada há algumas semanas, mas Bolsonaro não queria deixar o ministro, um de seus maiores defensores, sair sem ter um novo cargo.

“Nossa avaliação (sobre mercado) sempre contempla a questão do risco político”, disse Adriano Cantreva, sócio e responsável pela gestão de portfólios da Portofino Investimentos. “Pela falta de conhecimento total dos fatos, sempre existe uma nuvem que vai acabar afetando preços e deixando gestores mais desconfortáveis”, acrescentou. Para ele, o patamar atual do real não parece fora do que seria um nível condizente com o atual combo de riscos. “Mas quando se pensa em crescimento (econômico), por exemplo, se houver frustração, o real poderá desvalorizar ainda mais.”

O banco Crédit Agricole recomenda compra de dólar e mira a taxa de R$ 5,650, citando enfraquecimento do apetite por risco, consequências da pandemia, sinalização de mais afrouxamento monetário pelo Banco Central, maior tensão política em Brasília e incerteza sobre agenda de reformas.

“O real já havia perdido status de moeda de carry, mas o BC continuar cortando o juro obviamente não ajuda”, disse o estrategista sênior para mercados emergentes Italo Lombardi. “É tanta incerteza no radar, incluindo fiscal, que você pode ver de novo o dólar sofrer um ‘overshooting’ para perto das máximas históricas”, disse.

O recorde de fechamento nominal para o dólar foi alcançado no último dia 13 de maio (R$ 5,9012 ). Ante essa cotação, a moeda acumulou queda de 17,73% ao bater a mínima recente de 8 de junho (R$ 4,855), mas desde essa data disparou 10,64%, reduzindo as perdas frente ao pico histórico para 8,98%.

Fonte: Agência Brasil

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