Agricultura Familiar em MS: programa de extensão rural da UFMS fará treinamento e capacitação

Agricultura Familiar em MS: programa de extensão rural da UFMS fará treinamento e capacitação

Três propostas da UFMS foram aprovadas no Programa de Residência em Extensão Rural da Agricultura Familiar de Mato Grosso do Sul. Realizado pelo Governo do Estado, com apoio da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect-MS), o programa promove treinamentos práticos e supervisionados para integrar recém-formados em ciências agrárias e afins aos ambientes de trabalho.

Para o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Fabrício Frazílio, os programas de residência agrícola são inovações importantes no ensino em serviço das linhas de pós-graduação lato sensu. “Neste sentido, a UFMS foi pioneira no Estado. A aprovação de novos programas junto a Fundect-MS neste edital permitirá a implantação de três novos cursos vinculados à Agricultura Familiar, um setor prioritário para a sociedade brasileira. A Universidade cumprirá seu papel de formadora de jovens profissionais de excelência, ao implementar esses novos programas, capacitando os acadêmicos e fomentando as ações extensionistas no nosso Estado”, comenta.

As propostas da Universidade serão desenvolvidas no Programa de Residência Agrícola em Extensão Rural da UFMS. A duração será de 18 meses com 40 horas semanais de atividades e bolsa mensal no valor de R$ 4,5 mil. Conforme o pró-reitor, o processo seletivo para seleção e ingresso em cada um dos programas aprovados junto à Fundect-MS deve abrir em breve. “A UFMS suprirá toda a orientação acadêmica e ações teórico-práticas, coordenando as ações de ensino para cada acadêmico, sob responsabilidade do seu respectivo professor orientador, e a Secretaria Executiva de Agricultura Familiar, de Povos Originários e Comunidades Tradicionais (SEAF) irá receber esses acadêmicos para as ações extensionistas junto aos agricultores familiares. Acreditamos que a formação proporcionará uma ampla experiência a cada acadêmico”, afirma.

Comunidades quilombolas

O professor da Escola de Administração e Negócios e coordenador da proposta intitulada Ações de fortalecimento e desenvolvimento do cooperativismo/associativismo nas Comunidades Quilombolas vinculadas à Sede de Campo Grande, Geraldino de Araújo, considera o projeto como uma ação que poderá gerar resultados de ensino, pesquisa e extensão. As comunidades a serem contempladas no projeto, com supervisão da gestora sócio-organizacional rural da Agraer, Lilian Daniel, são a Chácara Buriti, Tia Eva – Vila São Benedito e São João Batista, em Campo Grande; a Furnas da Boa Sorte, em Corguinho; a Furnas do Dionísio, em Jaraguari; e a Comunidade dos Descendentes de Tertuliana e Canuta dos Pretos, em Terenos.

“A proposta é de um residente em cada município e como resultados esperamos a promoção do desenvolvimento sustentável e da melhoria da qualidade de vida das pessoas dessas comunidades, sendo evidente a necessidade de encontrar possibilidades de atribuir valor, não somente valor econômico, mas também social, afetivo e ambiental, produzindo alternativas viáveis de fixação dessas pessoas em suas comunidades por meio do associativismo/cooperativismo”, explica.

Acesso a mercados formais

Sob a responsabilidade da professora da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (Famez) e coordenadora do Mercado Escola da UFMS, Aline da Silva, a proposta intitulada Formação de extensionistas para desenvolvimento e fortalecimento do acesso a mercados formais de produtos da agricultura familiar tem como objetivo principal capacitar profissionais para atuarem como agentes de desenvolvimento junto a agricultores familiares. A qualificação teórica, técnica e prática terá foco na agroindustrialização, inserção e permanência em mercados formais, promovendo a sustentabilidade econômica das propriedades rurais de Mato Grosso do Sul. “A proposta aprovada foi uma construção desenvolvida conjuntamente por mim e pela servidora da Agraer, Maria Tainara Soares Carneiro Vitorino. Os planos de trabalho dos residentes estão estruturados em dois eixos: comercialização e agroindustrialização de produtos da agricultura familiar, se alinhando diretamente às ações do Mercado Escola da UFMS”, aponta.

Conforme a professora, entre as maiores dificuldades enfrentadas pelos agricultores familiares no Estado estão a comercialização e escoamento dos produtos, particularmente com relação ao acesso a mercados formais e cadeias de distribuição já consolidadas; e o desenvolvimento de estratégias para agregar valor à produção e diferenciar-se no mercado. “A Residência Agrícola na UFMS propiciará aos recém-formados o desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias ao exercício profissional direcionado para a organização produtiva sustentável, reforçando o compromisso da Universidade na formação de profissionais altamente qualificados”, destaca.

Produtividade leiteira

O coordenador do projeto intitulado Integrando Manejo Reprodutivo, Sanitário e Capacitação para o Aumento da Produtividade Leiteira do pequeno produtor em Mato Grosso do Sul é o professor da Famez Gustavo Macedo. Ele explica que o intuito é unir a formação prática de novos profissionais com um impacto direto nas propriedades leiteiras familiares. “O objetivo é levar assistência técnica e conhecimento científico ao pequeno produtor, ajudando-o a superar desafios e a tornar sua atividade mais produtiva e sustentável. Nossa expectativa é que, desde os primeiros meses, os veterinários residentes já estejam atuando no campo, conhecendo a realidade dos produtores e iniciando o processo de diagnóstico e capacitação”, informa.

Segundo o professor serão três frentes de atuação: capacitação dos produtores, com a oferta de treinamentos práticos sobre manejo sanitário e reprodutivo, inseminação artificial, nutrição e bem-estar animal; atendimento veterinário especializado, proporcionando aos produtores acesso a diagnósticos reprodutivos com ultrassonografia, monitoramento sanitário e assistência técnica contínua; e melhoria genética e maior eficiência produtiva, com a implementação de técnicas como inseminação artificial e avaliação andrológica para garantir animais mais produtivos e saudáveis.

“Queremos também valorizar a sucessão familiar no campo, incentivando a participação dos jovens e das mulheres na gestão das propriedades. Os veterinários residentes vão mapear 80 propriedades familiares, fazendo um diagnóstico detalhado da situação de cada uma. Com base nesse levantamento, será criado um plano de ação personalizado para cada propriedade, focado na resolução de problemas e na otimização da produção. Serão feitas visitas técnicas regulares, atendimentos veterinários, capacitações e monitoramento contínuo da saúde e da produtividade dos animais”, explica Macedo.

“Esse modelo de atuação integrada garante um impacto real e duradouro, pois alia conhecimento técnico com a experiência e as particularidades de cada propriedade. Estamos muito animados com essa iniciativa e confiantes de que ela trará grandes transformações para os produtores e para a agropecuária sul-mato-grossense”, pontua o professor.

Texto: Ariane Comineti, com informações da Agência de Notícias de MS

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